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Sites de vídeo viram ferramenta para vender produtos

Magazine Luiza fechou parceria para anunciar no YouTube suas mercadorias.
Vídeos amadores de ‘vendedores virtuais’ também ganham espaço na web.


JULIANA CARPANEZ E RENATO BUENO

Do G1, em São Paulo

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Liquidificador triturou um iPhone; vídeos divulgados na web promovem o produto. (Foto: Reprodução )

Os liquidificadores da empresa Blendtec ganharam fama em todo o mundo graças a seus vídeos on-line. Nesses episódios da série “Will it Blend?” , o apresentador Tom Dickson faz com que o eletrodoméstico destroce tudo: de iPhone a lâmpadas, passando por bolas de golfe, isqueiros, cartões de crédito e até bonequinhos do artista marcial Chuck Norris, considerado invencível.

Esse show de destruição tem como objetivo promover os liquidificadores, vendidos a partir de US$ 400 nos EUA, e também indica uma tendência que deve ganhar força: o uso de vídeos on-line como ferramentas de vendas. Sejam esses arquivos profissionais ou (muito) amadores.

Nesta terça-feira (4), a rede de varejo Magazine Luiza anunciou uma parceria com a filial brasileira do Google que aposta nessa tendência. Trata-se da produção de vídeos digitais, disponibilizados no site da empresa e também na página YouTube, com o objetivo de esclarecer as dúvidas dos consumidores interessados em determinados produtos. Assim, o site de vídeos do Google — que até hoje teve como principal função entreter os internautas — passa a ser uma fonte de informação para os adeptos do comércio eletrônico.

Até o final do ano, o Magazine Luiza pretende ter 120 desses arquivos, chamados web vídeos — atualmente, há 58 deles no YouTube. Em 2008, esse número deve chegar a 500 e, para isso, a empresa pretende investir R$ 1,5 milhão na produção do conteúdo (esse gasto é dividido com os fabricantes dos produtos). Em cerca de 15 dias, a loja terá um canal exclusivo no YouTube com todos os seus vídeos.

“Hoje, as pessoas ainda não acessam o YouTube para ver produtos. Mas iniciativas como essa [parceria entre Google e Magazine Luiza] devem mudar esse cenário. Uma coisa é você acessar um site de comércio eletrônico e ver apenas três ou quatro fotos daquele produto. Outra coisa é assistir a um vídeo que mostra o produto em funcionamento”, disse Alexandre Hohagen, diretor-geral do Google Brasil.

 Amadores

Os vídeos da rede varejista brasileira serão feitos em parceria entre uma equipe de produção do Magazine Luiza, com cerca de 40 pessoas, e sua agência de publicidade. Mas essa estrutura profissional nem sempre é pré-requisito na hora de divulgar produtos através de vídeos on-line. Isso é o que mostra o site brasileiro Super Tube, lançado há pouco mais de um mês com o lema “transmita suas vendas” (“broadcast your sales”).

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No brasileiro Super Tube, qualquer internauta pode divulgar aquilo que quer vender. (Foto: Reprodução)

No Super Tube, qualquer usuário pode divulgar um vídeo com aquilo que quer vender – seja carro, computador, casa ou relógio, por exemplo. O internauta assiste aos arquivos, entra em contato com os vendedores e negocia os preços. Por enquanto, como acontece no site de comércio eletrônico eBay, o Super Tube não participa da negociação. “É um classificado de vídeos”, define Rodrigo Junco, sócio da MFC Planejamento e responsável pelo projeto. O cadastro é gratuito para pessoa física e dá direito a 10 MB de arquivos.

O Super Tube tem recursos semelhantes aos do YouTube, como a possibilidade de dar notas para os vídeos e visualizá-los em tela cheia. A princípio, cada arquivo dessa página fica hospedado por 30 dias, período que pode ser renovado pelo usuário.

Apesar de estar ganhando força, a idéia de usar sites de vídeo para fazer anúncios não é nova. Há cerca de um ano, o G1 fez uma reportagem sobre imobiliárias que divulgavam no YouTube apartamentos e casas para venda ou aluguel.

Frederico Trajano Rodrigues, diretor de vendas e marketing do Magazine Luiza, acredita que exista espaço para os dois estilos de vídeos comerciais: os profissionais e também os amadores. “Nós temos acesso ao departamento de marketing de grandes fabricantes e, por isso, podemos dar informações com mais qualidade sobre um determinado produto”, disse. “No entanto, o consumidor pode preferir assistir a um arquivo produzido por outro consumidor. Há espaço para as duas alternativas; elas vão conviver na internet.”.

 Negócios
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Links patrocinados aparecem na página de resultados, com destaque (em amarelo). Cada vez que o usuário clica nesse link, o dono do anúncio paga uma quantia ao Google. (Foto: Reprodução)

Nos EUA, o YouTube já tem uma parceria similar àquela fechada com o Magazine Luiza com a rede TigerDirect (veja aqui o canal on-line), mas esse tipo de iniciativa ainda está em sua fase inicial. Na América Latina, a rede varejista brasileira foi a primeira empresa com atuação no comércio eletrônico a usar oficialmente o YouTube como ferramenta de vendas.

A empresa de buscas não é remunerada diretamente com essa parceria no Brasil. O lucro vem dos links patrocinados que o Magazine Luiza passou a divulgar no Google há cerca de três meses — toda vez que o internauta clica em um desses links, a rede varejista tem de pagar uma quantia ao Google. Para 2008, 50% da verba de publicidade on-line da rede varejista (total de R$ 14 milhões) será destinada aos links patrocinados das ferramentas de buscas.


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