“Ninguém pode mais se esconder”, diz presidente do Google Brasil

Publicado: 13 de março de 2008 em E-commerce
DIÓGENES MUNIZ
Editor de Informática da Folha Online

O que há em comum entre Daniella Cicarelli, Edir Macedo, Preta Gil, Roque Júnior, Eurico Miranda e Rubens Barrichello? Todos têm ou já tiveram problemas com o Google –ou com seus tentáculos mais populares, Orkut e YouTube. E o que o presidente do conglomerado no Brasil, Alexandre Hohagen, 40, tem a dizer sobre essa relação conturbada com as celebridades brasileiras?

Divulgação
Presidente do Google Brasil, Alexandre Hohagen, fala sobre privacidade na web e processos de celebridades contra o Google
Presidente do Google Brasil, Alexandre Hohagen, fala sobre privacidade na web e processos de celebridades contra o Google

Isso você lê na entrevista abaixo, com declarações ainda sobre privacidade na web, mudanças radicais no Orkut e inclusão de publicidade nos vídeos do YouTube.

À Folha Online, Hohagen comenta também, pela primeira vez, o processo por danos morais de Jeremias José do Nascimento (ou Jeremias “Muito Louco”, para os internautas) contra o Google, oito empresas de comunicação, duas pessoas físicas e uma loja de camisetas.

“Está claramente evidenciado que algum advogado quer se beneficiar da situação”, afirma. Sobre isso, a reportagem tenta, desde terça-feira, ouvir os advogados de Jeremias –sem sucesso.

*

Folha Online – Quando o YouTube começará a receber publicidade dentro dos vídeos na versão brasileira?

Alexandre Hohagen – Essa publicidade em cima dos vídeos deve entrar no Brasil daqui uns dois ou três meses. Isso já existe lá fora, chama-se, “in-video ad”.

Folha Online – O que você pensa quando vê vídeos do YouTube dando audiência para programas sem assunto da TV aberta?

Hohagen – Acho ótimo que a TV aberta passe esse conteúdo. Isso ajuda a levar a audiência de volta para o site e faz do negócio uma experiência viral. Muitos vídeos que tiveram sucesso na internet foram catapultados pela exposição no mundo “off-line”. Nós temos exemplos como aquele do Mentos, com muita repercussão. Imagina o impacto que isso tem quando o William Bonner fala disso! Não tem o menor problema para nós.

Folha Online – E aquelas mudanças no Orkut, com inclusão de programinhas feitos pelos próprios internautas? Quando chegam?

Hohagen – Essa chega daqui umas duas ou três semanas. Me mandaram um e-mail com link de todos desenvolvedores que já começaram a fazer produtos para essas novas plataformas abertas do Orkut. Tem um monte! Está show, muito legal mesmo. Alguns funcionários têm acesso para poder testar e dar “feedback”, dizer o que funciona melhor, onde podemos posicionar esses gadgets. Já tem muita gente fazendo sem a gente ter lançado a plataforma ainda. O lançamento ocorre daqui umas duas ou três semanas.

Folha Online – O que você acha desses “Google bomb”? [manobras de blogueiros para influenciar os resultados do Google, normalmente em tom humorístico ou de protesto]

Hohagen – Tem muito agora, né? Não sei… eu, sinceramente, acho que essa é uma demonstração evidente da Web 2.0.

Folha Online – O Google ultimamente tem recebido mais processos de celebridades do que o normal…

Hohagen – Esses dias eu mandei um link de vídeo para um amigo e ele disse que não podia abrir, porque a corporação não deixa ele acessar YouTube lá dentro. Fiquei pensando, nossa, isso é um absurdo. De uma certa forma, você está impedindo que algumas pessoas vejam aquilo que está acontecendo no mundo.

Da mesma forma acho que essas personalidades têm que entender. Elas não sabem lidar com a internet, porque quanto mais você combate, mais interesse gera. O caso do vídeo da Cicarelli é um exemplo tradicional. No momento em que ela entrou com processo na Justiça, pode ver, triplicou o número de “views”.

Folha Online – Eu nem lembrava mais do vídeo naquela época…

Hohagen – Pois é, [as pessoas] nem lembravam! Eu tenho a seguinte teoria quando me perguntam qual o futuro da internet: o futuro da internet está muito ligado à perda da sua privacidade e… não, melhor falando: você disponibiliza tantos dados para tornar sua vida mais relevante que isso vai criar uma linha tênue entre o quanto você libera da sua informação e o quanto isso vai tirar sua privacidade.

Para você ter uma experiência relevante na internet, você tem que falar um pouco de você. O que você gosta? O que curte? Qual é seu time de coração? Esse é o preço que você paga para estar navegando de uma maneira muito mais relevante. O cuidado que as pessoas tem que ter é esse. Onde está o limite entre você informar dados a seu respeito e quando isso passa da privacidade.

Folha Online – Você acha que há liberdade de expressão demais na rede?

Hohagen – Não. Acho que as pessoas vão ter que se adaptar, aprender a conviver com esse contexto. Ninguém pode mais se esconder. A relação entre as pessoas é pública, a relação entre as empresas e seus consumidores também, entre as pessoas públicas e a população também. Hoje com meu celular aqui, se eu vir que tem alguém lá embaixo fazendo uma coisa errada, eu posso tirar uma foto e daqui a dois minutos isso estará no mundo inteiro.

Não adianta mais você querer que protejam sua privacidade num mundo em que o eixo do poder mudou completamente. Antes, estava na mão das grandes organizações de comunicação, hoje está na mão de todo mundo.

Não acho que seja excesso de liberdade de expressão, não, porque a gente tem que ter esse excesso. O problema é como as pessoas vão lidar com isso. Desde que não passe o limite da vulgaridade, do bom senso, de não ferir as pessoas….aí eu sou totalmente contrário. Juntar um monte de gente só para dizer que a Preta Gil é uma baleia é um absurdo, uma sacanagem.

Folha Online – E o caso do Jeremias, que não era celebridade, e está processando o Google?

Hohagen – No caso do Jeremias está claramente evidenciado que algum advogado quer se beneficiar da situação. Aí chegou para o coitado e falou: “você quer ganhar uma grana?” Cara, a sociedade sempre foi assim, não mudou nunca. Aposto que na sua escola tinha alguém que vocês ridicularizavam. Na minha teve. A sociedade sempre foi assim. O problema é que hoje você tem meios de fazer isso de maneira massiva.

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