O jogo rentável dos games

Publicado: 3 de maio de 2008 em E-commerce

Diversão virtual surge como a nova fronteira da publicidade. No Brasil, a moda chega aos poucos

ROBERTA NAMOUR

RECEITA GARANTIDA: os jogos Gran Turismo e College Hoops, da Sony, usam espaços que simulam a vida real para atrair empresas anunciantes
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QUANDO GIGANTES COMO MICROSOFT E GOOGLE INVESTEM em algo relativamente novo, é sinal de que é para lá que o mercado vai caminhar. Atualmente, o que eles têm em comum? O interesse pela publicidade in-games – divulgação de produtos e serviços em jogos. E não é preciso ser muito visionário para perceber o potencial do negócio. De acordo com estimativas da empresa americana de pesquisa eMarketer, os gastos com publicidade em games em 2007 chegaram a US$ 295 milhões. A expectativa é de que, até 2012, esse número atinja US$ 650 milhões. E mais. As vendas da indústria de games atingiram receita de US$ 9,5 bilhões em 2007, aumento de 27% em relação a 2006, segundo dados do NPD Group. “A grande vantagem da publicidade em games é a penetração. Em geral, as pessoas passam muito mais tempo no computador do que em outras mídias”, afirma Rafael Lins, coordenador de mídia online da agência Mídia Digital. E as possibilidades são inúmeras. As propagandas podem estar inseridas no contexto dos jogos, como as placas de publicidade estáticas em games de futebol, ou podem ser indiretas, como é o caso das gravadoras que detêm os direitos sobre as músicas usadas no jogo Guitar Hero, da Sony.

No Brasil, a publicidade em games ainda não é tão popular. De acordo com Lins, o motivo estaria na falta de jogos nacionais de grande expressão.

“Acredito que isso possa mudar. Os jogos de plataforma são caros para a realidade do País, mas o aumento de popularidade nos jogos online por aqui começa a despertar em nossos empresários o interesse pelo espaço publicitário que oferecem”, diz. A modalidade que caiu nas graças dos brasileiros é o Advergames: jogos criados para divulgação de marcas. “As empresas têm apostado em jogos como uma boa ferramenta de marketing”, garante Fernando Chamis, diretor de planejamento da agência WebCore Games. As empresas a que Chamis se refere são, em sua maioria, grandes nomes, como Petrobras, Goodyear e Gerdau, em função do custo elevado do projeto – que pode chegar a R$ 200 mil. Para as três a WebCore criou um game para um evento em específico. A Petrobras usou o jogo para mostrar suas ações em desenvolvimento sustentável. A Goodyear usou o game para divulgar as características de seu novo pneu e a Gerdau encontrou na estratégia uma forma de apresentar seus produtos aos visitantes de uma feira de construção.

Lá fora, com a evolução dos jogos de plataforma, como é o caso do XBOX da Microsoft, do Playstation da Sony, e do Wii da Nintendo, a publicidade nesses games ganhou novas formas e mais intensidade, como explica Lins: “Com os recursos atuais dos consoles de terceira geração, estes aparelhos são conectados à internet e podem receber conteúdo dinâmico e so frer atualizações constantes”. O que mais atrai as empresas à publicidade em games é o próprio crescimento da internet, que tem impulsionado o desenvolvimento dos MMO, jogos online para múltiplos jogadores, como o Counter Strike e o World of Warcraft.

Foi de olho neste mercado em ascensão que o Google entrou na briga no ano passado. De acordo com a publicação americana Red Herring, o gigante das buscas online teria desembolsado US$ 23 milhões na aquisição da Adscape, empresa que explora publicidade em games online. Um passo ambicioso em um mercado em que os principais fabricantes, como Nintendo, Microsoft e Sony, controlam a veiculação de publicidade em seus jogos. Em 2006, a empresa Massive, especializada na área, foi comprada pela Microsoft por US$ 200 milhões, segundo a imprensa americana. A empresa passou a comandar a venda de espaços publicitários na rede Xbox Live. Em outubro de 2007, a Sony criou a Sony Computer Entertainment America, unidade de publicidade responsável por promover marcas e produtos dentro de jogos. Tal estratégia tem sido cada vez mais explorada pelas empresas de videogames como uma nova fonte de receita, uma vez que os custos de produção dos jogos costumam ser exorbitantes.

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