GPS vira aliado de paulistanos que precisam se deslocar pela cidade

Publicado: 2 de julho de 2008 em E-commerce

FLÁVIA GIANINI
da Revista da Folha

Nascida e criada em São Paulo, a publicitária Renata Perez Raimo, 23, cansou de ficar perdida. Mas, agora, ela acaba de se encontrar. Visita amigos e parentes sem desespero. Não, o carro dela não virou um amontoado de guias de rua. Renata só não circula mais sem o GPS ao lado do seu volante. O aparelho é aliado indispensável da publicitária e do seu pai, que parou de contar as vezes em que teve de socorrê-la.

O navegador preso ao console do carro evita situações estressantes. Como no dia em que Renata deixou o bairro da Saúde para voltar para casa, no Morumbi. Rodou quase 10 km na direção oposta ao seu destino. Acabou no Jabaquara. “Fiquei quase uma hora tentando achar o caminho. Já estava nervosa quando encontrei um ponto de táxi. Não pensei duas vezes. Paguei um taxista e fui seguindo-o com meu carro até a minha casa”, lembra.

Beatriz Toledo/Folha Imagem
A professora Dafne Zanoni, 28, que não se perde mais em São Paulo por causa de seu GPS recém-adquirido
A professora Dafne Zanoni, 28, que não se perde mais em São Paulo por causa de seu GPS; preço médio é de R$ 900

Se a tecnologia facilitou a vida da publicitária, quem mais agradece é o pai, o consultor financeiro João Baptista Raimo, 67. Foi dele a idéia do GPS.

A tecnologia empregada no equipamento é sofisticadíssima. O desenvolvimento do sistema consumiu investimentos de US$ 10 bilhões ao Departamento de Defesa dos EUA. Levou 25 anos para chegar às ruas.

O Global Positioning System (GPS) opera com 24 satélites (12 para cada hemisfério) orbitando ao redor da Terra. Em cada rota traçada, no mínimo dois deles são acionados.

Antes objeto exclusivo de taxistas, esportistas de aventura e profissionais envolvidos com o “caótico trânsito nosso de cada dia”, o GPS caiu no gosto do paulistano. A venda de aparelhos deve crescer 50% só neste ano, segundo uma das fabricantes, a Airis.

A popularização acompanha a queda no preço do produto. Há dois anos, ele custava cerca de R$ 2.000. Hoje, é possível encontrá-lo por até R$ 400 –embora o preço médio seja de R$ 900.

Perdido no interior

A professora Dafne Zanoni, 28, garante que o investimento é válido. Em São Paulo há seis anos, ela só parou de se perder quando comprou um celular com GPS. Mesmo a pé, usa o sistema. “A vantagem é carregar só um aparelho no carro. Ou na bolsa. E um risco menor de ser roubada”, diz.

A tecnologia é avançada. Mas há brechas. Márcio Veiga, 46, diretor de obras, ama seu GPS, porém reclama de não poder contar com ele em algumas cidades do interior. “O mapa até aparece na tela. Só que as orientações são falhas”, critica.

Luis Filipe Costa, 24, coordenador de marketing da Movix (empresa que importa e distribui os aparelhos), explica que, no Brasil, há 1.200 cidades mapeadas. No entanto, os roteiros detalhados ainda não estão completos. Esses dados são obtidos por pesquisadores passo a passo em cada localidade. “Em 2006, tínhamos 70 cidades completas. Hoje, são 269”, diz.

Alimentado por baterias com duração de quatro a seis horas, às vezes, o GPS pode apagar no meio do caminho. Mesmo com todos os recursos que ele oferece, a tranqüilidade parece ser o maior dos benefícios. “Tenho o aparelho sempre comigo. Às vezes, nem o aciono. Sigo o instinto e geralmente acerto. Eu me sinto mais segura”, conta Dafne.

Ao menos, é um sopro de calma para quem vive no trânsito nervoso.

Como funciona o GPS no trânsito

1. Depois de ligado, o GPS recebe sinais dos satélites que compõem o sistema. Esses sinais identificam a localização do carro (latitude e longitude). Para estabelecer o melhor caminho, basta digitar o endereço ou um ponto de referência, como a Sé. O GPS transforma a informação em coordenadas

2. O sistema cruza as coordenadas com dezenas de mapas (geográficos, hidrográficos e de trânsito, por exemplo). Em segundos, ele aponta as opções de rota. Os navegadores destacam as vantagens de cada opção traçada e permitem que o motorista escolha entre a mais curta e a mais rápida. Há opções de rotas específicas para pedestres e para caminhões

3. O motorista pode decidir como quer receber as orientações. Somente com indicações no mapa na tela do aparelho ou também por voz, do tipo “a 200 m, vire à direita”. Se o usuário sair do caminho (por erro ou por escolha), automaticamente o aparelho recalcula todas as informações e refaz as instruções, mostrando qual a melhor opção naquele momento

Fontes: Adetax (Associação das Empresas de Táxi de Frota do Município), Movix e Sindicato dos Taxistas Autônomos de São Paulo

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