Agora até Nescau é 2.0

Publicado: 4 de agosto de 2008 em E-commerce

Há modelo de negócios por trás dos sites web 2.0 brasileiros? (Uso indiscriminado e indevido do termo desgasta antes de gerar cases efetivos)

Comprei o novo Nescau 2.0. Além de dar mais uma bombada na “buzzword” 2.0, ele parece representar de certa forma a maneira como a web 2.0 é tratada no mercado de internet do Brasil: um leve “twist” no design e no sabor e pouca mudança no principal.

O conceito da web 2.0, cunhado há alguns anos, tenta gravar um marco na evolução da internet a partir de uma série de novas idéias que estão amadurecendo: desde conteúdo gerado e classificado pelo usuário até questões puramente técnicas. Um mapa que ilustra muito bem essa nuvem de conceitos (“cloud”) pode ser visto em http://commons.wikimedia.org/wiki/Image:Web_2.0_Map.svg.

Os usuários puderam nos últimos anos experimentar os grandes exemplos mundiais: YouTube, MySpace e Orkut, Flickr, delicious, Digg e muitos outros especializados. Esse mesmos sites estão agora numa etapa de tradução para os diversos idiomas para ampliarem ainda mais seus usuários.

No Brasil, no entanto, a coisa é um pouco diferente, como sempre foi. Como o Nescau 2.0, muitos sites se dão o rótulo (ou “tag” pra ficar dentro do jargão) de “site 2.0” simplesmente por usar uma interação “ajax” ou incluir um espaço de comentário.

Segue uma pequena reflexão em cima dos modelos de negócio mais comuns para a internet:

IPO ou venda para grandes players

Confesso que ainda não entendo o modelo de negócios do Youtube, ou do Flickr, ou de vários outros. É certo que, no início da internet, ficava-se milionário fazendo-se IPO na Nasdaq, mas hoje em dia a salvação pode estar na compra de sites pelo Google, Yahoo! e outros super players do mercado. Como essa opção é um tanto escassa para a maioria dos negócios, não creio que seja possível montar um plano de negócios cujo objetivo final seja “ser comprado pelo Google”.

Publicidade online

Geralmente coloca-se a publicidade como responsável principal pela geração de receitas de um site. Uma das opções é colocar os anúncios no Google ou em outras redes parecidas. Na prática, sabe-se que esse tipo de publicidade só gera algum volume significativo de receitas se o site tiver um número estúpido de visitas, o que geralmente gera um custo grande e a conta não fecha.

No Brasil, grande parte das receitas de campanhas publicitárias para internet (banners e etc.) são absorvidas pelos grandes portais, que concentram conteúdo e audiência e possuem uma força de venda efetiva. Para um site independente de portais, as opções são formar uma força de venda própria ou se associar a representantes de mídia.

Dado esse cenário, acho arriscado basear o plano de negócios unicamente na publicidade online padrão.

Publicidade cauda longa

Sites que têm um foco bem definido em seu mercado, como é o caso do VCVAI.com que é um guia 2.0 de lugares para sair, geram valor através das relações que são construídas entre o público que acessa o site e seus interesses comuns. Esta relação, neste caso entre pessoas e restaurantes, por exemplo, pode ser explorada comercialmente oferecendo-se uma comunicação totalmente dirigida ao nicho específico. É possível, dessa maneira, explorar a “cauda longa” dos estabelecimentos que estão no guia, oferecendo pacotes a custos baixos e que atingem diretamente o público que procura ativamente um lugar para sair e já construiu seu perfil de preferências através das ferramentas do site.

Ferramentas online profissionais pagas

Outra maneira de se explorar a web 2.0 é aproveitar a conversão dos softwares desktop pelos aplicativos online, também chamados de “computação em nuvem”. Novamente, o alvo deve ser um mercado específico que, ao invés de comprar licenças de programas para instalar em suas máquinas, pode usar um aplicativo pela internet pagando uma pequena taxa mensal. Além de ganhar mobilidade, os softwares online não precisam de atualização.

Alguns exemplos são o Aprex, escritório virtual e os softwares de gerenciamento de projetos e CRM Basecamp e Highrise, que oferecem recursos online com mensalidades baixas, também explorando o conceito de cauda longa, pois mesmo pequenos negócios podem ser assinantes.

E-commerce e serviços pagos pelo usuário

Sempre que o usuário final tem que pagar por um serviço de internet, é esperada uma “taxa de conversão” baixa, pois para a maioria deles a internet é “de graça”. Isso significa que é necessário um fluxo muito grande de usuários acessando o site para gerar um numero relativamente pequeno de vendas. Acertando o custo de operação com o valor dos produtos, é uma equação que pode fechar a conta, principalmente se o produto for 100% digital.

Deve-se ter em mente que, no Brasil, ainda existem muitas barreiras que impedem o e-commerce brazuca de ganhar impulso: desconfiança com a segurança, pouca experiência com compras online, menor uso de cartões de crédito, menor renda e a alta de bons agregadores de pagamento universais, como é o caso do PayPal no mercado internacional.

No Brasil, o camiseteria.com.br é um ótimo exemplo de e-commerce de produtos físicos totalmente sintonizado com o conceito web 2.0, já que é a própria comunidade que cria as estampas e elege as que devem ser comercializadas, e ainda há a remuneração do usuários que criaram o modelo escolhido.

Enfim, ainda continua difícil responder para a sua mãe “como você ganha dinheiro, meu filho?”. A web, especialmente nesta nova onda, é um território para exploradores onde todos estão aprendendo, formando preços e modelos, e são poucas as fórmulas que podem ser repetidas. O mercado publicitário ainda está no curso de uma transformação e uma nova geração de usuários está sendo formada agora. Estar presente e vivendo essa fase é um privilégio para quem gosta de empreender, mas o caminho da sustentabilidade e da lucratividade cada negócio terá que descobrir. Que a bolha 2.0 passe e revele os modelos de sucesso.

Fonte: Site iMasters

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