Por um comércio virtual sem barreiras

Os gastos por meio do comércio eletrônico, notadamente entre empresas e consumidores, vêm crescendo exponencialmente na América Latina. De acordo com o Boston Consulting Group e a Visa International, em 2010, mais de 23 bilhões de dólares serão gastos em compras pela internet. Trata-se de um número colossal se comparado com o início da década, quando as despesas por esse meio não alcançavam meio bilhão de dólares na região. Projeta-se expansão anual do setor em torno de 40% dentro de dois anos. Porém, há empecilhos para isso, sem contar a crise internacional, cujo ocaso ainda não está visível no poente.

Não vamos falar do temor à fraude na internet por conta da publicação de dados pessoais e tampouco da desconfiança dos meios de pagamento, como o cartão de crédito. Ou, ainda, do alto custo da entrega – que não é tanto assim em uma cidade como São Paulo, que consegue transformar o tempo realmente em dinheiro por conta das dificuldades de se locomover com um mínimo de conforto por suas ruas e avenidas. Pode-se até argumentar sobre experiências mal sucedidas no passado por conta de aquisições pelos consumidores de produtos pela internet.

O que importa é que o Brasil detém relevante participação no mercado de comércio eletrônico. Quase a metade do negócio realizado na América Latina é feita por aqui. Alguns dos motivos do vertiginoso crescimento do e-commerce no Brasil têm sido a facilidade de crédito, a queda dos preços dos computadores e o aumento do poder aquisitivo da população, em especial da classe C. A estabilidade econômica ajudou, a segurança eletrônica melhorou e o mercado diversificou-se. Novos modelos de negócios surgem aos borbotões, envolvendo uma série de setores econômicos que antes não imaginavam ter uma relação comercial com o consumidor pela web. Caso da indústria automotiva e das imobiliárias.

O mercado exige que um player atue nesse terreno porque os concorrentes estão se deslocando para lá (ou já estão lá) e os custos são mais baixos na venda direta pela internet – principalmente depois que a plataforma está em funcionamento. O sistema financeiro também contribui bastante para a implementação de ferramentas de pagamento eficazes quando os produtos são adquiridos pelos internautas.

A grande questão do comércio eletrônico, contudo, continua a ser o conhecimento do perfil do consumidor. E como alcançar todos eles. O modelo tradicional de negócio supera de longe no que se refere a atrair o consumidor. Na verdade, ninguém conhece ainda ao certo um padrão adequado de operar na internet. Aposta-se muito na interação, mas isso ainda é uma experiência. O indivíduo gosta de ser cativado, paparicado. A internet não descobriu como fazer esse mimo ao internauta. O e-consumidor continua muito suscetível.

Existe, inclusive, a questão da dificuldade de acesso e das barreiras tecnológicas e socioeconômicas. Não se pode (mais) pensar a internet como um instrumento de uso de uma minoria. Há quase 40 milhões de internautas no Brasil. Como somos 190 milhões de habitantes, o abismo é imenso.

No mercado eletrônico, desses 40 milhões, apenas 9,5 milhões são e-consumidores, segundo a e-bit. Do total de domicílios no País, somente 16,9% tem acesso à internet, de acordo com o PNAD. A faixa etária de consumo varia entre 25 e 49 anos – grupo que tem mais familiaridade com o meio.

Em 2009, há necessidade no Brasil de aumentar a abrangência da conexão rápida e a redução do custo da banda larga. Por outro lado, é preciso quebrar culturas, como achar (por desconhecimento) que é perda de tempo o processo de navegação na web, além da insegurança de ser vítima de crime digital.

É preciso, por fim, ampliar a interação entre aquele que faz a tecnologia e quem a adota como ferramenta de venda. O objetivo é instituir no País uma política de desenvolvimento consistente, de amplo alcance, para o estabelecimento de uma estrutura comum de informação sobre o usuário, suas necessidades, e como podemos contribuir para incluí-lo nesse novo sistema econômico. Sem distinções.

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