Campuseiro dá o tom da Campus Party 2009

Publicado: 27 de janeiro de 2009 em Comércio Eletrônico (E-commerce)

Interação entre os participantes foi o que realmente valeu a pena na 2ª edição do maior evento de cultura digital e internet

RODRIGO MARTINS

O que realmente importou foi fazer amizades e trocar experiências. Na segunda edição da Campus Party, mega-acampamento nerd que rolou até ontem em São Paulo, houve problemas com a internet, o som, o chuveiro frio, até furto houve (leia texto na página seguinte), mas a galera não desanimou.

O pessoal estava lá para conhecer gente, aprender – não tanto com os palestrantes, mas principalmente com outros participantes – e se divertir. Foi uma festa tipicamente nerd.

Neste ano, o evento aconteceu no Centro de Exposições Imigrantes, no Jabaquara, e reuniu 4 mil “campuseiros” – como são chamados os participantes –, que trouxeram seus computadores e ficaram acampados e conectados por uma semana a uma velocidade prometida de 10 gigabits por segundo, 10 mil vezes mais veloz do que a banda larga mais comum no País.

O espaço maior permitiu aumentar o número de participantes, de debates e palestras e a área de exposições, aberta ao público, mas a programação oficial, mesmo com a presença do “pai da internet”, Tim Berners-Lee, não chegou a empolgar na prática (veja texto nesta página).

‘CONEXÃO FÍSICA’
“A Campus Party acaba sendo um espaço para fazer contatos. Muitos projetos surgem fora daqui, a partir dos novos amigos feitos durante a festa”, conta o blogueiro Gustavo Gitti.

O enorme pavilhão foi dividido em áreas como blogs, software livre, robótica, etc., e, na hora da inscrição, os participantes puderam escolher onde ficar.

O dentista Rodrigo Vicentino, de 28 anos, estava na área de modding, a “tunagem de PCs”, e encontrou amigos de longa data, que só conhecia de fóruns de discussão online, como o designer Erich Beall, de 34 anos. “Esse crescimento no espaço foi bacana para encontrar ainda mais gente”, explica Beall.

“O legal é conhecer gente que gosta do mesmo que você. Assim é possível aprender com quem está do seu lado. Quando surge uma dúvida, é só perguntar que a gente sempre recebe ajuda”, diz o técnico em eletrônica Ricardo Poppi, de 30 anos.

Diferentemente de 2008, neste ano as baladas bombaram no Centro de Exposições Imigrantes. O pessoal dançou maracatu, rock, música eletrônica… De quinta para sexta, a madrugada mais agitada, a maioria saiu da frente de seus PCs para dançar.

A tribo dos gamers e do pessoal de modding agitou sem parar. De manhã, à tarde, de noite ou de madrugada, foi a turma que mais fez barulho. A cada campeonato, urros ecoavam pelo pavilhão. “Não tem como jogar e não gritar. A cada vez que fico emocionado, preciso soltar um grito”, diz o gamer Rodrigo Rezende, de 23 anos.

Mas, no geral, a Campus Party deste ano foi mais calma, com menos empolgação do que a primeira edição, em 2008 – este repórter acampou nas duas e também em 2007 na de Valência (Espanha). No ano passado, a maioria dos campuseiros literalmente não dormia, e as madrugadas eram palco de flashmobs, lambaeróbica, “abraços grátis”, etc. Neste ano, a maioria dos participantes dormia por volta das 2h.

“Aumentou o espaço, mas diminuiu a animação”, diz a analista de sistemas Gabriela Souza, de 24 anos. “O pessoal era mais comunicativo. Agora está todo mundo indo dormir cedo.”

PIRATARIA?
Também foi uma festa de downloads. Como em 2008, neste ano a quantidade de uploads foi maior do que a de downloads – média de 1 terabyte por hora no primeiro caso e 600 gigabytes no segundo. Isso mostra que os participantes mais colocaram do que baixaram conteúdo na internet, mas não há dúvida de que o download de arquivos rolou solto. Pirataria?

Os campuseiros até montaram um servidor próprio que disponibilizou nada menos do que 15 terabytes de filmes, músicas e seriados, grande parte deles ilegal, ou seja, sem autorização dos detentores de seus direitos autorais.

A posição oficial da Campus Party é a de que cada pessoa era responsável pelo que fazia com a conexão de 10 Gbps.

Com a colaboração da repórter Juliana Rocha

Fonte: Folha Online

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