Mesmo que entrada do PayPal no País não passe de indícios, UOL admite já estar se preparando para competir com gigante de pagamento eletrônico.

Ainda que a popularização do e-commerce no Brasil venha tornando os meios de pagamento eletrônicos cada vez mais conhecidos e usados no País, há um motivo para as empresas do setor não esperarem 2010 com tanta expectativa: o PayPal, comprado pelo eBay em julho de 2002 por 1,5 bilhão de dólares.

O gigante de pagamentos eletrônicos já se movimenta para uma operação no país, contratando o escritório de advocacia David do Nascimento Advogados Associados para gerir suas marcas online, segundo apurado pelo IDG Now!.

Não bastasse o diretor de estratégia do PayPal, René Pelegero, ter admitido a intenção de montar um escritório no País durante o evento E-Commerce Summit, realizado em São Paulo no final de outubro, dois outros indícios corroboram a iminente operação nacional.

Em novembro, o PayPal não apenas anunciou o suporte a 24 novas moedas (incluindo o Real), mas também, sem alarde, começou a aceitar a retirada de fundos a partir de 32 bancos brasileiros, incluindo Bradesco, Itaú, Citibank, Santander, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil.

O quanto essa entrada do PayPal no mercado de comércio eletrônico brasileiro, cujo faturamento deverá crescer 28% para 10,5 bilhões de reais em 2009, ameaça os players nacionais?

Quem fala mais abertamente sobre a suposta ameaça do PayPal é o UOL, responsável pelo serviço de pagamento eletrônico PagSeguro, lançado em julho de 2007 após a compra da startup nacional BrPay.

O diretor de projetos especiais do UOL, Ricardo Dortas, chega a relacionar a reformulação do PagSeguro, totalmente reescrito na linguagem Java, com a possibilidade do início de  atividades do PayPal no País.

Novo Vietnã no UOL
“O UOL está sem preparando, sem dúvida. Toda a alteração de plataforma que fizemos, com migração e incorporação à base (de assinantes do portal), agregando milhões de novos usuários, é para nos preparamos para competir”, afirma o executivo.

Para exemplificar a postura do portal, Dortas relembra a maneira como o UOL se preparou para a entrada da América Online no Brasil em 1999.  Para tentar intimidar o site norte-americano, o então presidente do portal, Caio Túlio Costa, declarou à imprensa um nada político “benvindos ao Vietnã” à operação brasileira da AOL.

“No nosso caso, em que estamos competindo em mercado aberto, sem dúvida que não ter tido presença mais forte de um ou outro estrangeiro nos tem beneficiado”, afirma Dorta.

A estratégia do UOL para fazer frente ao PayPal se apóia tanto no desenvolvimento de novas ferramentas, como o PagSeguro Mobile, serviço para celulares já disponível no portal sem qualquer divulgação, como na popularidade do portal.

Para exemplificar seu potencial poder no setor, Dorta cita como clientes do PagSeguro os 11 milhões de assinantes que o UOL tem.

Segundo ele, este é o número de clientes com contas no portal que estão preparados para ativarem a ferramenta de pagamento eletrônico.

O portal, porém, não comenta nem o número de usuários ativos nem a quantidade de transações realizadas pelo PagSeguro, se restringindo a admitir que o número de negócios em novembro deverá ser 20% maior que o registrado em outubro.

O PagSeguro pode ser apontado como principal rival do PayPal no Brasil não apenas pelo poder que o portal confere à ferramenta, mas também pelos acordos já costurados com serviços de comércio eletrônico no País.

Além da integração com todos os produtos ofertados pelo UOL, o PagSeguro se beneficia dos acordos costurados com serviços de comércio eletrônico como Casas Bahia, Livraria Cultura e Mentez, responsável pela monetização do popular aplicativo para Orkut Buddy Poke.

Segundo Dorta, o UOL tem contatos com a B2W, holding responsável pelas operações online do Submarino e da Americanas.com, e com o Ponto Frio, mas enfrenta o ceticismo demonstrado pelos grandes varejistas quanto a plataformas de pagamento eletrônico.

O princípio da segurança que faz com que lojas pequenas e médias recorram a pagamentos eletrônicos não se aplica aos maiores varejistas, já que “quem compra nas Casas Bahia, sabe que, se (o produto) der problema, vai na filial que problema será resolvido”.

“A grande proposta de valor (que o UOL tenta oferecer às gigantes de e-commerce) é a base de usuários crescente e que pode fazer suas compras fazendo apenas um login”, que transformariam os serviços em “carteiras eletrônicas”, explica ele.

Mercado Pago não liberado
Ao contrário do UOL, o Mercado Livre é mais reticente quanto ao assunto, a começar pela sua ferramenta de pagamento eletrônico: o Mercado Pago só pode ser usado dentro do site de leilões no Brasil e não há prazo definido para que isto mude.

Ainda que o Brasil seja responsável por cerca de 60% tanto do faturamento como do lucro do Mercado Livre nos 12 países onde atua, a solução de pagamento eletrônico criada internamente está disponível de maneira independente apenas para Argentina, Chile e Colômbia.

Por que não o Brasil? “É uma boa pergunta. Temos um cuidado especial quando falamos sobre Brasil”, afirma o diretor de marketing do Mercado Livre no Brasil, Helisson Lemos. Os brasileiros representam mais da metade dos 40 milhões de usuários cadastrados no Mercado Livre.

“Ainda estamos construindo a plataforma brasileira”, já que “cada país tem seu sistema financeiro com suas peculiaridades”, diz o executivo, sem confirmar possíveis negociações do Mercado Livre com bancos e instituições financeiras para a versão nacional.

Embora não adiante planos, Lemos confirma que o Mercado Livre tem interesse de liberar o Mercado Pago para além das transações nos leilões, citando o crescimento da participação do pagamento eletrônico no balanço do serviço.

No terceiro trimestre, cerca de 900 mil transações pelo Mercado Pago movimentaram cerca de 114 milhões de dólares na América Latina, aumento tanto no número de negócios (6,19%) quanto na receita (39,8%) em comparação ao mesmo período de 2008.

MoIP segue passos do PagSeguro
Sem a rivalidade do Mercado Livre, restam aos serviços menores se espelharem no UOL para tentarem abocanhar melhores participações de mercado.

É o caso da MoIP, serviço fundado em Belo Horizonte em 2007 por dois colegas da Universidade Federal de Minas Gerais, que chamaram um terceiro contato para ajudar a administrar o negócio.

Dois anos após ter sido lançado, o MoIP teve 65% da sua participação comprado por parceria entre o portal iG, da Brasil Telecom, e a holding Ideasnet.

“Tivemos a sorte de ter alinhamento de pensamento. O iG sentia necessidade de ter produto como o nosso e a Ideaisnet, que já tinha tido a BrasPag, queria investir no setor”, conta o cofundador e presidente do serviço, Igor Senra.

Em junho, o Grupo Sílvio Santos pagou 25 milhões de reais pelo BrasPag, em aquisição que não deverá significar concorrência a PayPal, PagSeguro ou mesmo MoIP no Brasil.

Segundo o diretor da BrasPag, Svante Wester Berg, não há planos de expandir a área de atuação das grandes empresas para “clonar” plataformas de pagamento eletrônico para pessoas físicas ou pequenas lojas online.
 
A compra da participação no MoIP (por valor não revelado) fez com que o iG não apenas usasse o MoIP como forma de vender seus pacotes corporativos no iG Empresas como também o integrasse aos outros produtos do portal, explica Senra.

A movimentação é semelhante à feita pelo UOL com o PagSeguro – ferramenta externa é assimilada e adaptada para ganhar relevância usando a popularidade do portal.

Atualmente, o número de transações da plataforma beira as 55 mil transações. A integração com venda de produtos ofertados pelo iG deverá alavancar consideravelmente o número, segundo o executivo.

O MoIP, porém, carece ainda de acordos externos: a plataforma é ofertada por desenvolvedoras de solução de e-commerce como Jet, EZ Commerce e Tray Sistemas, o que coloca o PagSeguro em vantagem no que tange a acordos estratégicos.

Procurado pela reportagem do IDG Now!, o PayPal não respondeu aos contatos.

Fonte: IDG Now – Por Guilherme Felitti, do IDG Now!

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